“Fragmentos da Memória” para visitar em setembro

“Fragmentos da Memória” é a exposição de pintura que a Casa-Museu Medeiros e Almeida, em Lisboa, recebe de 3 a 14 de setembro, do artista João Amoêdo Pinto.

Esta é a segunda exposição individual de João Amoêdo Pinto, que reúne duas dezenas de peças assentes na exploração dos materiais e das suas memórias, assim como de memórias do próprio autor. Resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de 2019, este conjunto de obras teve como início a exploração plástica dos “restos” de maquetas de arquitetura. O pintor explorou “estas superfícies fragmentadas através da sua justaposição a superfícies desconstruídas que tratou, plasticamente, com diferentes materiais que se conjugam, sob a abordagem e tratamento final de preto no branco”.
Este trabalho e a utilização de materiais alternativos, resultantes também da recolha na rua, levaram a uma segunda fase no processo. Os mesmos foram tratados diretamente sob uma linguagem comum no que respeita à expressão plástica do autor, que assume a “fragmentação resultante da sua intervenção ativa e expressionista sobre estas superfícies”.



A memória de espaços, tempos e sentimentos de João Amoêdo Pinto surge em fragmentos no trabalho presente nesta exposição. Como afirma o artista, “a memória assalta-me em fragmentos, do tempo que vivi, das palavras que disse e que não disse, de tudo o que sinto e me emociona, das influências que aceito e bebo como se fossem memórias minhas. A obra conduz-me à medida que a desenvolvo, fragmentada e intuitiva”. As peças têm, elas próprias, títulos relacionados com tempos ou momentos vividos e sentidos intimamente, como ‘Raining at my window’ ou ‘What If’.
João Amoêdo Pinto nasceu em Lisboa, em 1967, onde viveu a maior parte da sua vida. Cresceu numa família de arquitetos, colecionadores de arte e artistas, o que lhe proporcionou entrar em contacto com o mundo da arte ainda muito jovem Ter vivido fora de Portugal e, como surfista, ter viajado pelo mundo, permitiu “entender melhor o ser humano e as diferenças sociais e culturais”.
Desenvolveu a sua expressão artística entre 1989 e 1994, quando o design e a publicidade (a sua profissão), o desafiaram a desenvolver a sua criatividade de forma diferente. Em 2016, mudanças profundas na sua vida, juntamente com uma procura de crescimento emocional e espiritual, trouxeram-no de volta à expressão artística.



O trabalho de João Amoêdo Pinto é ditado pelo seu estado espiritual mais profundo. “Quando olho para o meu trabalho, seja com raiva, desapego, preocupação, alegria ou dor, faço-o sempre com entrega. Autodidata como artista, para mim, os temas são “insights” que refletem a minha cultura, estado de espírito, alma e experiências de vida, assim como a minha busca interior”, conclui.

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