Mais de 40 mil visitam mostra sobre Vieira da Silva

Mais de 40 mil pessoas já viveram a “experiência imersiva de digital & media art” ao visitarem a mostra que está patente há um mês, em Lisboa, na Praça Central do Centro Colombo, que reúne 35 obras de Vieira da Silva e que estará em exposição até 26 de agosto.

No âmbito da iniciativa “A Arte Chegou ao Colombo”, o espetáculo concebido de raiz, concilia a arte e as obras no sentido mais clássico e convencional com “o arrojo, disrupção digital e surpresa audiovisual”. Na Praça Central daquela superfície comercial, as obras são alvo de animações, efeitos e desconstruções pelo coletivo Oskar & Gaspar, ao som da banda sonora original de Rodrigo Leão, o que permite aos visitantes “uma aproximação à arte numa experiência única de cor, texturas, som e expressão”.
Desenvolvida em parceria com a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (FASVS), que participou na seleção das obras que estão presentes na mostra, a iniciativa garante “a qualidade, representatividade do percurso e o respeito pela integridade da obra da artista”. No ano em que se comemora os 25 anos de abertura do museu ao público, a FASVS associa-se à nona edição deste projeto, para celebrar uma das mais notáveis artistas portuguesas, que conta com o patrocínio da Presidência da República.
O projeto de arquitetura, fundamental para dar vida a este museu digital, é da responsabilidade da plataforma multidisciplinar KWY.studio, um coletivo que “aborda cada projeto numa lógica colaborativa entre várias disciplinas”, como é o caso desta iniciativa.
“Fazemos um balanço muito positivo deste primeiro mês de exposição, conseguimos chegar a mais de 40 mil pessoas o que significa, no nosso entender, que estamos a prosseguir os nossos objetivos de democratizar o acesso à arte (…) num local inusitado”, afirmam os promotores do evento.



Maria Helena Vieira da Silva é “um nome consensual, de grande reconhecimento nacional e internacional”, afirma Paulo Gomes, diretor do Centro Colombo. O responsável lembra que “este ano fomos ainda mais longe e arriscámos muito no formato que queremos que seja apelativo para todos”, que garante está a “conseguir surpreender todos os nossos visitantes com este projeto digital de enorme qualidade”.
O projeto assume ainda uma dimensão de participação pública ao promover a angariação de donativos, com o objetivo de adquirir cinco obras da artista, que serão doadas ao Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva. Os donativos “são totalmente voluntários” e podem ser feitos no espaço da exposição.



Sobre Vieira da Silva

Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) nasceu em Lisboa e estudou desenho, pintura e escultura nesta cidade onde, em 1928, parte para Paris para frequentar a aulas de escultura e de pintura em várias academias. Nos anos 30 casa com o pintor Arpad Szenes (1897-1985), de origem húngara e perde a nacionalidade portuguesa. Pintora de temas essencialmente urbanos, revela desde muito cedo preocupação com a expressão do espaço e da profundidade.
Em 1932 conhece a galerista Jeanne Bucher, que desempenha um papel decisivo na sua carreira. A ameaça da II Grande Guerra traz o casal a Lisboa, mas é-lhes recusada a nacionalidade, o que os leva a partir para o Brasil, onde vivem entre 1940 e 1947. A década de 50 traz a Vieira da Silva inúmeras exposições importantes, em França e no estrangeiro (Estocolmo 1950, Londres 1952, São Paulo 1953, Basileia e Veneza 1954, Caracas 1955, Londres 1957, Cassel 1959, entre outras).
Em 1956, Arpad Szenes e Vieira da Silva naturalizam-se franceses. O Estado francês adquire obras suas a partir de 1948 e atribui-lhe várias condecorações, a primeira em 1960. Vieira da Silva acumula vários prémios internacionais e, a partir de 1958, organizam-se retrospetivas da sua obra por toda a Europa. Em Portugal, a Fundação Calouste Gulbenkian mostra a sua obra em 1970. Em 1983, o Metropolitano de Lisboa propõe-lhe a decoração da estação da Cidade Universitária. Em 1990, em Lisboa, é criada a Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, cujo museu, dedicado à obra dos dois pintores, abre ao público em 1994. Para mais informações visite: www.fasvs.pt

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