Festa da Vindima junta mais de 600 pessoas em Oeiras

A tradicional Festa da Vindima, que este ano regressou à ex-Estação Agronómica Nacional, em Oeiras, juntou na última sexta feira mais de 600 pessoas na Adega Casal da Manteiga, para celebrar o encerramento da vindima do vinho de Carcavelos “Villa Oeiras”.

A iniciativa, aberta à população, animou todos os presentes e levou os participantes a uma “viagem no tempo”, num ambiente único das vinhas onde são cultivadas as “uvas utilizadas para a produção do famoso e secular vinho licoroso”, produzido por aquele município. Durante a manhã, teve lugar uma vindima tradicional, com a apanha manual da uva, acompanhada por uma recriação histórica das vindimas no século XVIII, com direito a condes e condessas, lacaios e música popular. No evento, participaram ainda dezenas de crianças de vários infantários do concelho, bem como outros convidados que passearam de carroça na original Quinta de Cima do Conde de Oeiras e Marquês de Pombal.



Ao longo do evento e antes de um almoço convívio ao ar livre, os participantes tiveram ainda a oportunidade de visitar a Adega do Casal da Manteiga e de acompanhar o processo produtivo do vinho, que contou com a presença de representantes do Ministério da Agricultura, Secretaria de Estado do Turismo, Turismo de Portugal, LINIAV e da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), que incluiu uma prova de vinho de Carcavelos “Villa Oeiras”, para convidados, no Torreão da Adega.

Isaltino de Moraes, presidente da câmara municipal, destacou a importância do “convívio” e daquela “confraternização” para recriar situações que ainda hoje estão na memória de muitos. O autarca referiu-se ao “legado extraordinário deixado pelo Marquês de Pombal, assim como a própria quinta ao concelho de Oeiras”. O presidente salientou que, apesar da vindima estar “maioritariamente associada à província, raramente as pessoas a ligam a um espaço situado numa área urbana e à beira-mar, como é o nosso caso, sendo que o único produtor agrícola em Oeiras é a câmara municipal”, disse.
“Para além do vinho, ainda produzimos batata comum, batata doce e vamos produzir azeite”, afirmou com orgulho, tendo recordado que há 50 anos atrás a “vindima era um trabalho muito duro e mal-pago”. De ano para ano e para além dos aspetos lúdico e recreativo, a autarquia “tem procurado que mais munícipes adiram a esta festa”.



Isaltino afirmou ainda que “é importante que as pessoas que vivem numa cidade, tenham cada vez mais acesso a um produto criado na natureza, como o vinho de Carcavelos, que há vinte anos atrás estava a desaparecer e em vias de extinção”, O autarca recordou que em 1999, produziam-se na região cerca de quatro mil litros de vinho por ano, número que “este ano cresceu para 50 mil litros, tendo sido possível salvar este vinho licoroso”, um produto que considera ser “cultural” e simultaneamente “turístico”, atualmente com “uma importância económica significativa”.

Neste momento “existe um acordo entre a Câmara de Oeiras e a de Cascais, para o tratamento das uvas ali produzidas”, revelou. “Pretendemos que os munícipes de Oeiras e de outros concelhos da Grande Lisboa sejam bem vindos aqui e se apropriem cada vez mais deste património”, acrescentou, realçando o papel de Oeiras na área económica.

“Ocupamos o segundo lugar em termos de riqueza nacional produzida, com 24 mil milhões de euros por ano”, contra e a título de exemplo “os 14 mil milhões produzidos no Porto”, concluiu. Texto e fotos: Luís Geirinhas com Joaquim Morgado

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