José Craveirinha homenageado no Parque dos Poetas

O município de Oeiras inaugura no próximo dia 31, o Conjunto Escultórico representativo de Moçambique, de homenagem ao poeta José Craveirinha, no Parque dos Poetas, pelas 12 horas, com autoria do escultor Frank NTALUMA.

A inauguração terá lugar na Pétala 33, naquele que será o 60º e último conjunto escultórico alusivo aos 60 poetas daquele parque do concelho. Recorde-se que José Craveirinha nasceu em 1922, em Moçambique, tendo falecido em 2003. O poeta nasceu em Lourenço Marques, hoje cidade de Maputo e viria a falecer na África do Sul. Filho de mãe negra e de pai branco algarvio, passou os primeiros anos no ambiente tradicional moçambicano, com a mãe “no meio de baladas à volta da fogueira”.
Mais tarde, ainda criança, foi viver com o pai, tornando-se “mais viva a mestiçagem cultural que estrutura as suas identidade e a poética”.



Os seus poemas “questionam o registo biográfico, em que a figura do pai ganha importância, dando sequência a uma temática aculturativa e fundamental no universo da sua poesia”. Com efeito, o seu discurso poético enquadra-se na poesia contemporânea do período colonial e também de muita poesia escrita nos últimos 17 anos de vida.
Comprometido com os destinos de Moçambique, Craveirinha é preso e partilha a cela com Malangatana e Rui Nogar, nomes importantes da cultura daquele tempo. Presente em qualquer antologia lusófona, a sua poesia “reflete a influência surrealista”, mas é marcada pela cultura moçambicana e as questões sociais, criando “um discurso muito próprio e original, em que a modernidade do verso e das imagens corrobora intransigentemente com os sentidos ideológicos”.



Assim, a língua portuguesa é como que abalada nas suas estruturas sintático-lexicais para, de forma inovadora, transportar consigo os ritmos e as energias das línguas moçambicanas. Considerado o maior poeta daquele país, conquistou prémios em Itália e Portugal, tendo recebido condecorações de presidentes (português e moçambicano). De salientar que no ano de 1991, tornou-se o primeiro autor africano galardoado com o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa.

Escultor Frank NTALUMA

Nasceu na Beira, em Moçambique, em 1969, o escultor iniciou o trabalho de escultura em madeira em 1990, no Museu de Etnologia de Nampula. Dois anos depois, em Maputo e em grupo, funda a “Favana – Grupo de Escultores Makonde”, onde se formam muitos outros artistas moçambicanos e estrangeiros. Já em 2000, o artista vai para a A.S.E.M.A., no Museu Nacional de Arte de Maputo, tendo chegado a Portugal em 2002, onde desenvolveu um intercâmbio de sensibilidades artísticas. Em 2003 assume a responsabilidade da escola de escultura da A.L.D.C.I. – Portugal, integrada na escola da multiculturalidade.
Autodidata, faz a sua formação trabalhando e frequentando vários cursos de formação de desenho, projeto e escultura em centros internacionais e escolas de artes e ofícios. Participou em várias exposições coletivas e individuais em Moçambique, Portugal, Suíça, Inglaterra, França, Andorra, China e Estados Unidos, estando representado em coleções públicas e privadas espalhadas pelos quatro cantos do mundo.



A proposta apresentada para este conjunto escultórico, foi pensada e inspirada no poema do poeta “Quero Ser Tambor”, tendo sido executada em pedra mármore de diferentes tonalidades sobre uma base de betão, constituído por quatro esculturas de diferentes formas e tamanhos, simbolizando três tocadores de tambores em diferentes posições: sentado, de pé e de joelho.

De acrescentar que a quarta escultura representa uma figura sentada sobre um tambor, criando um autêntico espetáculo de tertúlia da poesia. As esculturas vão ter a capacidade de “transmitir o entusiasmo em poesia”, que acompanhada pela expressão da música tradicional de Moçambique, transmite os sentimentos da cultura no seu todo. “Quero Ser Tambor” simboliza de forma visível e palpável os sonhos humanos transformados reais com a força da poesia. Fotos: DR e C.M.Oeiras

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