Sião retratado em Lisboa no Museu do Oriente

O Museu do Oriente, em Lisboa, inaugurou recentemente a exposição “Império Invisível e a fotografia no Sião”, que reúne imagens de Francis Chit e Joaquim António, pertencentes à coleção de Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria, numa mostra que vai estar patente até 24 de novembro.

No Sião da segunda metade do século XIX e início do século XX, dois portugueses exerceram a sua atividade, como fotógrafos oficiais da corte e captaram com luz a família real, a vida do palácio e os tipos sociais, a paisagem urbana e o mundo rural do único reino asiático que se furtou à colonização ocidental.
Historicamente, recorde-se que o Sião é considerado “um caso único da fotografia no Sudeste-Asiático, pois que a paixão pela fotografia por parte da família real, aliada a uma forte resistência à intrusão de fotógrafos estrangeiros no território, terá favorecido as carreiras do luso-siamês Francis Chit (1830-1891) e do macaense Joaquim António (1862-1912), verdadeiros ‘cronistas de imagem’ da realeza durante os 60 anos em que trabalharam nesta área.



As 46 albuminas em exposição, acompanham os reinados de Rama IV (Mongkut, 1851-1868) e Rama V (Chulalongkorn, 1868-1910) da dinastia Chakri, onde aparecem retratadas a coroação do Rei Chulalongkorn, em 1873, da autoria de Francis Chit, a família real e outras figuras da corte siamesa.

De Joaquim António, destaque para albuminas feitas em Macau e as suas primeiras imagens no Sião: os “protegidos chineses” fotografados frente ao consulado português em Banguecoque, por ocasião do aniversário do Rei D. Carlos, em 1899; a Exposição Universal de Hanói, em 1902, onde Joaquim António esteve representado com alguns dos seus trabalhos e uma fotografia de um grupo de músicos da Sociedade Filarmónica de Banguecoque, em 1900, na qual se pode identificar o fotógrafo português.

Resultantes de aquisição feita a um livreiro de Lisboa, as peças reunidas nesta exposição, com a curadoria de António Faria, pretendem “realçar o pioneirismo, a competência técnica e a qualidade artística destes dois profissionais cuja obra é ainda pouco estudada”. Paralelamente, o Museu do Oriente organiza a palestra “A minoria luso-siamesa no Sião do século XIX”, por Miguel Castelo-Branco, seguida de uma visita guiada à mostra, nos dias 4 de outubro e 8 de novembro, às 18 horas e de participação gratuita.



A exposição pode ser visitada de terça a domingo, entre as 10 e as 18 horas, sendo que às sextas feiras, o horário prolonga-se até às 22 horas, com entrada gratuita depois das 18 horas.

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